inventei caminhos, me perdi

inesperado: que ou o que de repente muda de aspecto, enfoque, característica. 

hoje fui à praça. fiquei caminhando, olhando as pessoas em seu dia de feriado, o céu entre cinza e azul também me deteve ali por alguns minutos de olhos nele.

comprei pipoca, algo quase previsível considerando minha obsessão por esse manjar de milho. salgada, de oito reais. lá no meio do pacotinho, um gosto não previsto: uma pipoca doce, capaz de mudar o paladar.

eu não pedi por aquela pipoca doce, não paguei por ela e nem esperava que ela estivesse ali. mas, sorrateiramente ela mudou o rumo das coisas, mostrando que o inesperado faz parte da vida. às vezes ele é imperceptível, mas às vezes uma única pipoca doce em um universo de pipocas salgadas já é capaz de mexer com os sentidos, confundir as perspectivas, causar estranheza, alegrias ou sofrimentos.

a gente se prepara para viver, para conviver, mas não se prepara para o que não está no plano. nem sempre o plano é consciente, na verdade ultimamente o plano tem sido ver uma linha reta e coerente dos fatos. mas até aí, no plano mais pragmático, as mudanças acontecem.

o instinto é de ir contra elas, é o de seguir o plano. como assim as coisas não terão a continuidade lógica por tudo que se caminhou até o momento? não tendo, não sendo, não dá pra tentar entender o que escapa da gente.

eu gosto de mudanças e também de surpresas. mas, tendo a não me sentir confortável quando as mudanças acontecem muitas vezes, quando o inesperado se torna uma constante. certa dose de previsibilidade não é ruim, emoção demais pode acelerar tanto o coração que o faz travar.

pipoca doce é boa, mas é melhor quando você quer essa modalidade de pipoca.

Comentários

  1. Gostei muito da metáfora. Parece-me que tem mais pipoca não prevista do que imaginamos. Temos só que aprender a reagir mais rápido.

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    1. Sim, acho que tem muita pipoca intrusa na nossa vida. Reagir mais rápido é realmente uma chave interessante, fazer valer a nossa autonomia da escolha e da adaptação!

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