como será que anda? ela pensou

hoje eu pensei em começar a escrever um diário de coisas que eu te falaria, se a gente tivesse algum contato que não fosse atravessado por mensagens encaminhadas e pequenos fragmentos de notícias.

é bem estranho perceber que há vários assuntos sobre os quais a gente conversaria por horas, ou imaginar que isso aconteceria. afinal, o que eu sei sobre você é tão mais uma ideia que eu tenho de você…

eu retomaria algumas coisas que ficaram em aberto nas nossas conversas, na verdade seria mais um "conta mais sobre aquela história bizarra dos seus amigos?" ou algum outro causo com pitada de fofoca. 

nos últimos dias eu tenho vivido uma sensação de falta. como eu me ausentei e, parece que você também - ou o nosso correio tá desviando propositalmente as comunicações de maneira muito eficaz, porque nada mais me chega -, parece que você não existe mais, mesmo que exista. 

isso não faz com que eu deixe de pensar em você ou me sinta triste por pensar que você não pensa em mim. ainda me aparecem assuntos dos quais eu falaria com você por muitas horas: o quanto benito é sexy naquele tiny desk e como ele pronuncia algumas palavras de um jeito tão puertoriqueño; as músicas que eu descobri recentemente e que eu acho que você ia curtir demais; como os propósitos que a gente achava que tinha vão mudando ao longo da vida... as vezes nem aparecem assuntos, mas vejo coisas e não sei como eu sinto que você iria gostar de ver também. 

as músicas, já conhecidas, deixaram um pouco de ganhar uma história individual por sua causa - antes estava um pouco insuportável ouvir qualquer coisa e achar "mensagens" escondidas que me faziam pensar em você. mas, ontem eu ouvi uma do drexler que eu nem lembrava direito e, como não pensar nos seus dois universos paralelos? além de ficar imaginando também que você, sendo cientista, teria muito pra falar sobre universos paralelos (não importa se não é sua área de estudo/pesquisa, isso é de exatas então você saberia falar sobre). também imaginei que você cantaria e tocaria essa música bem, mesmo eu nunca tendo visto você cantar ou tocar nenhum instrumento. 

tenho controlado - não sem doses extras de esforço, distração e contenção da curiosidade - a vontade de falar com você de novo. comecei a dizer pra mim mesma que, como você parece ter sumido, deve estar trabalhando para mantener las distancias e para encaminhar a sua decisão. então, não seria muito justo - ético? empático? - da minha parte fazer contato e quebrar o pacto de novo. 

depois eu me dei conta: não tem como ser um diário, não vou escrever todos os dias e o que está escrito aqui não corresponde a um dia de vida e pensamentos. mas, pode ser uma correspondência sem envio e sem periodicidade para te "falar" algumas das muitas coisas que tenho visto e vivido. 



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